Sobre este tópico
Capítulo abrangente sobre asma, incluindo fisiopatologia, fatores desencadeantes, apresentação clínica, diagnóstico e tratamento baseado em evidências.
Conteúdo
**Definição e fisiopatologia**
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiper‑responsividade brônquica e obstrução variável, reversível espontaneamente ou com tratamento. A inflamação causa inchaço da mucosa, constrição do músculo liso e produção excessiva de muco, o que reduz o calibre das vias aéreas e dificulta a passagem do ar【349962303073611†L45-L52】. Durante uma crise, desencadeantes como alérgenos, ar frio, esforço físico ou fumaça provocam contração do músculo liso e edema, levando a chiado, tosse, dispneia e sensação de aperto torácico【349962303073611†L90-L95】.
**Tipos e fatores desencadeantes**
Existem diferentes fenotipos de asma. A asma alérgica é desencadeada por exposição a alérgenos (pólen, ácaros, pêlos de animais). A asma induzida por exercício manifesta‑se durante ou após atividades físicas intensas. A asma ocupacional ocorre pela exposição a substâncias inaladas no ambiente de trabalho, e a variante com tosse apresenta tosse seca persistente como sintoma predominante. Há ainda a síndrome de sobreposição asma‑DPOC (ACOS), na qual o paciente apresenta características de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica【349962303073611†L109-L117】. Os principais gatilhos incluem aeroalérgenos, infecções virais, fumaça de cigarro, poluentes ambientais, medicamentos (ex.: aspirina) e estresse【349962303073611†L142-L170】.
**Quadro clínico**
Os sintomas clássicos são dispneia episódica, sibilância audível, tosse (frequentemente noturna ou ao despertar) e sensação de aperto ou dor torácica. Esses sintomas variam ao longo do tempo e podem piorar à noite ou de madrugada. A presença de um quadro crônico de alergia (rinite, eczema) e história familiar aumenta a suspeita clínica.
**Diagnóstico**
O diagnóstico é clínico e apoiado por exames. Deve‑se obter história de sintomas respiratórios recorrentes e variáveis e identificar fatores desencadeantes. A espirometria demonstra obstrução das vias aéreas com VEF1 reduzido e relação VEF1/CVF < 0,7. O critério de reversibilidade inclui aumento ≥12% e ≥200 mL no VEF1 após broncodilatador. Outros exames incluem monitorização de pico de fluxo expiratório, teste de broncoprovocação e dosagem de IgE total e eosinófilos em asmáticos alérgicos. A radiografia de tórax é geralmente normal e serve para descartar diagnósticos diferenciais.
**Estratificação da gravidade**
A gravidade da asma é classificada em intermitente, persistente leve, persistente moderada e persistente grave, de acordo com a frequência dos sintomas, necessidade de medicação de resgate, limitação das atividades e resultados da espirometria. Essa classificação orienta o escalonamento do tratamento.
**Tratamento**
O manejo baseia‑se no controle da inflamação e na prevenção de crises. A educação do paciente e o controle ambiental (evitar alérgenos e irritantes) são fundamentais. O tratamento farmacológico segue um passo a passo: (1) broncodilatadores de curta ação (SABA) para alívio rápido; (2) corticosteroides inalatórios em dose baixa como terapia de controle; (3) associação de corticosteroide inalatório com broncodilatador de longa ação (LABA) para asma moderada; (4) incremento das doses e inclusão de antileucotrienos, teofilina ou tiotrópio em casos graves; (5) uso de anticorpos monoclonais (anti‑IgE, anti‑IL‑5) para asma alérgica ou eosinofílica não controlada. Durante exacerbações agudas, administram‑se SABA em nébulos, oxigênio suplementar, corticosteroide sistêmico e, em crises graves, sulfato de magnésio e ventilação. A monitorização periódica com espirometria e ajuste do tratamento conforme o controle dos sintomas é imprescindível.
**Prognóstico e acompanhamento**
A maioria dos pacientes com asma consegue bom controle dos sintomas com tratamento adequado. Fatores como adesão às medicações, exposição contínua a alérgenos, tabagismo e comorbidades (obesidade, refluxo, rinite) influenciam o prognóstico. O acompanhamento regular permite ajustar a terapia, orientar sobre técnica inalatória e identificar sinais de alerta para exacerbações.
💡 Dicas
- Identifique e evite fatores desencadeantes (alérgenos, fumaça, medicamentos) para reduzir a frequência das crises.
- Utilize a espirometria para confirmar a obstrução reversível e monitorar a resposta ao tratamento.
- O uso correto de inaladores (corticosteroides e broncodilatadores) é essencial para manter o controle da doença.