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Tópico 3: Tireoide - casos clínicos e condutas

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Sobre este tópico

Questões de prova sobre nódulo tireoidiano, Graves, amiodarona, gestação, hipotireoidismo subclínico e câncer diferenciado.

Conteúdo

NÓDULO TIREOIDIANO — QUANDO PUNCIONAR? A avaliação do nódulo tireoidiano combina dados clínicos, TSH e ultrassonografia (US). A cintilografia fica reservada a TSH suprimido (suspeita de nódulo hiperfuncionante). Classificação ultrassonográfica (ATA/TIRADS): - Alto risco: sólido hipoecoico, margens irregulares, microcalcificações, taller-than-wide, extensão extratireoidiana → PAAF geralmente indicada a partir de 1 cm (padrão altamente suspeito). - Baixo risco: espongiforme, predominantemente cístico → observação na maioria. - O contexto clínico importa: histórico de irradiação cervical, história familiar de câncer medular, crescimento rápido ou disfagia ampliam indicação. DOENÇA DE GRAVES E ORBITOPATIA Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo em adultos jovens: anticorpo TRAb estimula receptor de TSH → produção autônoma de T3/T4. Tratamento definitivo — três opções: antitireoidianos (tionamidas), radioiodoterapia (I-131) e tireoidectomia total. Orbitopatia ativa é fator crítico: - Radioiodo pode piorar orbitopatia, especialmente em tabagistas e CAS ≥ 3. - Na orbitopatia ativa, preferência por antitireoidiano ± cirurgia, com avaliação oftalmológica. - Tabagismo agrava risco ocular com radioiodo. TIREOTOXICOSE POR AMIODARONA Amiodarona contém ~37% de iodo e pode causar hiper ou hipotireoidismo. Tireotoxicose: - Tipo 1 (excesso de síntese): TRAb positivo ou hipervascularização no Doppler → tionamidas como base. - Tipo 2 (destrutiva/tireoidite): pouca vascularização, ausência de anticorpos → corticoide (prednisona) como primeira linha. - Formas mistas existem; decisão de suspender amiodarona depende do risco cardiovascular. HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO TSH elevado com T4 livre normal. Causa mais comum: Hashimoto (anti-TPO positivo). Decisão de tratar (LT4) é individualizada: - TSH > 10: geralmente tratar. - TSH entre 4,5–10: avaliar sintomas, anti-TPO, idade, gravidez, risco cardiovascular. - Observação periódica é válida em assintomáticos com TSH levemente elevado e anti-TPO negativo. TIREOIDE NA GESTAÇÃO Gravidez reduz fisiologicamente o TSH no 1º trimestre (HCG estimula receptor de TSH). Metas de TSH por trimestre (diretrizes gerais): - 1º: < 2,5 mUI/L (muitas referências) - 2º/3º: < 3,0 mUI/L Tratamento: - Hipotireoidismo: LT4, dose geralmente aumenta 20–30% na gestação. - Anti-TPO positivo com TSH limítrofe e histórico de perda gestacional: considerar LT4 individualizado. - Radioiodo é contraindicado na gravidez. CARCINOMA DIFERENCIADO DE TIREOIDE (CDT) Papilífero (80%) e folicular são os mais comuns; prognóstico geralmente bom. Após tireoidectomia total ± radioiodoterapia: - Seguimento dinâmico por tireoglobulina (Tg) + anti-Tg + US cervical. - Estratificação de risco (ATA): baixo, intermediário ou alto → define intensidade do seguimento. - Tg indetectável + US normal em risco baixo = resposta excelente → intervalo de seguimento se alonga progressivamente. - Nova radioiodoterapia ou PET-CT ficam reservados a suspeita de recorrência, não são rotina.

💡 Dicas

Questões

1. Mulher de 46 anos, nódulo sólido hipoecoico com margens irregulares e microcalcificações, 1,1 cm, TSH normal. Conduta mais adequada:

2. Mulher de 35 anos com Graves (TRAb positivo), tabagista, orbitopatia ativa leve-moderada (CAS 3), deseja tratamento definitivo rápido. Melhor opção inicial, mais segura para o olho:

3. Homem de 67 anos em amiodarona com TSH suprimido e T4L elevado. Doppler com hipervascularização difusa e TRAb positivo. Não pode suspender amiodarona. Conduta inicial mais apropriada:

4. Homem de 52 anos, assintomático, TSH 6,8 (confirmado), T4L normal, anti-TPO negativo e sem doença cardiovascular conhecida. Conduta mais adequada:

5. Gestante de 6 semanas, perda gestacional prévia, TSH 3,1 mUI/L, T4L normal, anti-TPO ainda indisponível. Conduta mais adequada (abordagem prática):

6. Mulher de 40 anos com carcinoma papilífero tratado com tireoidectomia total, risco intermediário. US cervical sem doença estrutural; tireoglobulina baixa detectável estável, anti-Tg negativo. Conduta mais adequada: