Sobre este tópico
Questões de prova sobre nódulo tireoidiano, Graves, amiodarona, gestação, hipotireoidismo subclínico e câncer diferenciado.
Conteúdo
NÓDULO TIREOIDIANO — QUANDO PUNCIONAR?
A avaliação do nódulo tireoidiano combina dados clínicos, TSH e ultrassonografia (US). A cintilografia fica reservada a TSH suprimido (suspeita de nódulo hiperfuncionante).
Classificação ultrassonográfica (ATA/TIRADS):
- Alto risco: sólido hipoecoico, margens irregulares, microcalcificações, taller-than-wide, extensão extratireoidiana → PAAF geralmente indicada a partir de 1 cm (padrão altamente suspeito).
- Baixo risco: espongiforme, predominantemente cístico → observação na maioria.
- O contexto clínico importa: histórico de irradiação cervical, história familiar de câncer medular, crescimento rápido ou disfagia ampliam indicação.
DOENÇA DE GRAVES E ORBITOPATIA
Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo em adultos jovens: anticorpo TRAb estimula receptor de TSH → produção autônoma de T3/T4.
Tratamento definitivo — três opções: antitireoidianos (tionamidas), radioiodoterapia (I-131) e tireoidectomia total.
Orbitopatia ativa é fator crítico:
- Radioiodo pode piorar orbitopatia, especialmente em tabagistas e CAS ≥ 3.
- Na orbitopatia ativa, preferência por antitireoidiano ± cirurgia, com avaliação oftalmológica.
- Tabagismo agrava risco ocular com radioiodo.
TIREOTOXICOSE POR AMIODARONA
Amiodarona contém ~37% de iodo e pode causar hiper ou hipotireoidismo.
Tireotoxicose:
- Tipo 1 (excesso de síntese): TRAb positivo ou hipervascularização no Doppler → tionamidas como base.
- Tipo 2 (destrutiva/tireoidite): pouca vascularização, ausência de anticorpos → corticoide (prednisona) como primeira linha.
- Formas mistas existem; decisão de suspender amiodarona depende do risco cardiovascular.
HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO
TSH elevado com T4 livre normal. Causa mais comum: Hashimoto (anti-TPO positivo).
Decisão de tratar (LT4) é individualizada:
- TSH > 10: geralmente tratar.
- TSH entre 4,5–10: avaliar sintomas, anti-TPO, idade, gravidez, risco cardiovascular.
- Observação periódica é válida em assintomáticos com TSH levemente elevado e anti-TPO negativo.
TIREOIDE NA GESTAÇÃO
Gravidez reduz fisiologicamente o TSH no 1º trimestre (HCG estimula receptor de TSH).
Metas de TSH por trimestre (diretrizes gerais):
- 1º: < 2,5 mUI/L (muitas referências)
- 2º/3º: < 3,0 mUI/L
Tratamento:
- Hipotireoidismo: LT4, dose geralmente aumenta 20–30% na gestação.
- Anti-TPO positivo com TSH limítrofe e histórico de perda gestacional: considerar LT4 individualizado.
- Radioiodo é contraindicado na gravidez.
CARCINOMA DIFERENCIADO DE TIREOIDE (CDT)
Papilífero (80%) e folicular são os mais comuns; prognóstico geralmente bom.
Após tireoidectomia total ± radioiodoterapia:
- Seguimento dinâmico por tireoglobulina (Tg) + anti-Tg + US cervical.
- Estratificação de risco (ATA): baixo, intermediário ou alto → define intensidade do seguimento.
- Tg indetectável + US normal em risco baixo = resposta excelente → intervalo de seguimento se alonga progressivamente.
- Nova radioiodoterapia ou PET-CT ficam reservados a suspeita de recorrência, não são rotina.
💡 Dicas
- Nódulo altamente suspeito no US, acima do limiar, geralmente indica PAAF.
- Na orbitopatia ativa, radioiodo sem proteção pode piorar olho, sobretudo em tabagista.
- No hipotireoidismo subclínico leve, nem todo paciente precisa LT4 imediatamente.